quarta-feira , 27 outubro 2021

Atropelamentos marcam o início de 2020

O jornal A folha conversou esta semana com o diretor da Guarda Municipal de Trânsito de Santiago, João Alberto de Lima e também com o presidente do Conselho Municipal de Trânsito, Anderson Bitencourt. Na oportunidade eles falaram sobre os atropelamentos que estão ocorrendo na cidade e o que pode ser feito para diminuir os fatos. Só no início de 2020 já foram quatro, sendo duas mortes e dois feridos.

Segundo João Alberto, as estatísticas atuais demonstram que existe muita falta de conscientização, tanto de pedestres como de motoristas, pois ambos têm sua parcela de responsabilidade quando se trata de trânsito.

“Acreditamos que o excesso de velocidade, falta de atenção, bem como o uso indevido de telefone celular ou outros elementos que causem distração sejam os fatores mais relevantes para a ocorrência de tais acidentes. A correria do dia a dia acarreta no aumento de acidentes, portanto os motoristas devem ter mais calma e paciência no trânsito e os pedestres mais atenção e aguardar o momento ideal para fazer a travessia das ruas”, comenta.

João Alberto destaca ainda que vem sendo feitas várias campanhas educativas e de fiscalização, somando esforços com demais órgãos da Segurança Pública.

Ao ser questionado sobre o asfalto servir de pista de corrida, João Alberto destaca que a Prefeitura de Santiago está investindo na infraestrutura das vias, de forma a melhorar a mobilidade do município, porém tal fator não justifica o excesso de velocidade empreendido nas vias. A velocidade máxima permitida em Santiago é de 40 km/h, se todos respeitassem esses limites, os atuais índices de acidentes diminuiriam. Os redutores de velocidade foram retirados devido ao alto custo que gerava aos cofres municipais, sendo utilizadas as lombadas como alternativa, porém nenhum recurso utilizado será realmente eficaz se os usuários das vias não obedecerem às leis de trânsito, as quais são de conhecimento de todos.

“Vamos continuar trabalhando em prol de um trânsito melhor, a fim de mudar o atual cenário, buscando estar presente nos locais de maior fluxo de veículos e pedestres, nas principais ruas, onde a Guarda Municipal já está atuando com a Operação Presença, também participamos semanalmente do Programa Olho Vivo na Rádio Santiago, debatendo temas de interesse da comunidade, bem como estamos realizando palestras em escolas e empresas locais. Nos colocamos à disposição de toda comunidade local e aceitamos ideias e críticas construtivas para que juntos possamos unir esforços que repercutam no bem comum”, concluiu.

Em entrevista realizada com o presidente do Conselho Municipal de Trânsito, Anderson Bitencourt, ele destaca que o registro de acidentes fatais em Santiago não é rotina. Durante muitos anos eles foram raros. No entanto, esses eventos críticos, assim como em todos os assuntos relacionados ao trânsito, precisam de uma avaliação criteriosa. Cada acidente guarda sua particularidade. Houve avanços na segurança no trânsito, mesmo assim os números de pedestres atropelados apontam para um cenário que requer atenção especial.

O aumento dos números de acidentes de trânsito mostra a importância não só da conscientização da população para obedecer às normas, mas também de se pensar em planejamento urbano. A maioria das cidades brasileiras foram planejadas preocupando-se com o tráfego de veículos, em Santiago o cenário não é diferente. Os pedestres ficaram em segundo plano. Infelizmente, depois de anos de planejamento urbano voltado para veículos, é claro que as mudanças ficam bem mais difíceis de serem implementadas.

Conforme Bitencourt, a precipitação e a falta de autocuidados são alguns dos principais fatores que levam aos acidentes, mas a distração e a pressa parece explicar muita coisa. A pressa e a distração costumam ser típicas de motoristas e pedestres, com a diferença que os pedestres apressados não se esbarram e não se xingam nas calçadas tanto quanto os motoristas. Pedestre apressado não respeita sinalização: atravessa no sinal vermelho dos semáforos para veículos e nas sinaleiras para pedestres, mas cobra veementemente, e com razão, quando os condutores furam os sinais vermelhos do semáforo. O que não tira a razão dos motoristas quando algum pedestre também fura o sinal vermelho e atravessa na frente dos carros.

“Assim como os motoristas, há pedestres que não têm paciência para parar na faixa e fazer uma travessia segura. Refiro-me àqueles que se lançam sobre a faixa sem ter visibilidade, sem buscar o contato visual com os condutores, sem estender o braço para sinalizar a travessia, sem calcular a distância e a velocidade dos veículos. Entretanto, reclamam, dos condutores que não reduzem a velocidade próximo às faixas de pedestres, que não param antes da linha de retenção, que param em cima da faixa ou que sequer param, e prosseguem no ritmo e na velocidade a quem vinham. Só que tais pedestres também perdem a razão quando fazem a mesma coisa. É óbvio que existe uma enorme diferença entre o risco de dano e o dano propriamente dito causado a um pedestre por um veículo dada a fragilidade do corpo humano, principalmente em acidente de trânsito. No entanto, há casos e os tribunais já vêm decidindo isso, em que o pedestre contribui, e muito, como causador do acidente. E, independente, de quem o tenha provocado, sempre quem leva a pior é a parte mais fraca: o pedestre”, explicou.

O resultado das imprudências e negligências de cada um é o atropelamento ou outros tipos de colisões, como a colisão traseira, o abalroamento ou até mesmo o choque com o meio fio na tentativa do condutor  tentar evitar o atropelamento.

Bitencourt ressalta que o comportamento, as práticas e as atitudes das pessoas no trânsito são determinantes para evitar acidentes, mas o grande desafio do século e para as gerações futuras está em saber como lidar com a correria e a pressão do dia a dia. Na maioria das vezes, pedestres e motoristas sabem o que fazer e como fazer para ter autocuidados, mas deixam de fazer o que deve ser feito por conta do modo como lidam com as pressões da vida moderna.

As campanhas são planejadas para resultar em ações de conscientização da comunidade. O maior problema, hoje, é a falta de atenção, tanto do condutor quanto do pedestre. Neste sentido, um levantamento do Detran/RS detectou um dado preocupante: 31% dos mortos em atropelamentos têm mais de 65 anos. Entre os veículos envolvidos em atropelamentos, o automóvel é o mais frequente – até por seu maior volume em circulação (61% da frota gaúcha). Representaram 36,5% do total de 4.203 veículos envolvidos em atropelamentos de 2009 a 2018. Panfletagem em blitz educativas posicionadas em pontos estratégicos da cidade. A fiscalização segue atuante, principalmente por parte da Brigada Militar.

Ao falar sobre o asfalto, que os motoristas usam como pistas de corrida, o presidente comenta que o planejamento, a operação e a fiscalização do tráfego foram concebidos levando-se em consideração as necessidades e especificidades de todos os tipos de usuários do sistema em Santiago. Historicamente, as ações voltadas para o tráfego não consideravam, de forma balanceada, as demandas dos diferentes tipos de usuários. No entanto, as mudanças promovidas no sentido de circulação de algumas ruas principais buscou dar maior fluidez ao tráfego de veículos, desfazendo alguns pontos de conflito existentes por muitos anos. O que apesar de causar descontentamento para alguns motoristas, diminuiu os acidentes de trânsito nos cruzamentos.

A reorganização das vias urbanas, proposta pela SMOV, e aprovada pelo Conselho Municipal de Trânsito, situou-se dentro de uma perspectiva de minimização do risco para condutores e pedestres. A preocupação sempre foi acomodar veículos em movimento ou estacionados promovendo a harmonia entre veículos e pedestres. Apesar da previsão de alguns pontos de conflitos ainda existentes, é impossível avaliar com precisão a percepção que o cidadão tem do meio ambiente de tráfego. Essa percepção é que vai influenciar seu comportamento no trânsito e seu relacionamento com os outros usuários.

Precisamos também promover um tratamento correto aos locais de travessia, aliado a campanhas educativas, com o objetivo de efetivamente reduzir os atropelamentos. Além da melhoria em algumas faixas de segurança, pintura de novos pontos, também precisamos pensar nas calçadas. O passeios públicos, principalmente nas vias centrais ainda apresentam características que dificultam e tornam insegura a circulação de pedestres: largura insuficiente, pisos escorregadios e em mau estado de conservação, desníveis abruptos, ausência de facilidades para deficientes físicos, carros estacionados, e muitos outros elementos que contribuem para a redução da capacidade ou para tornarem problemáticos os deslocamentos de pedestres nas calçadas.

 Aliada a outras ferramentas utilizadas, a educação para o trânsito, e especialmente a do público infanto-juvenil, é um dos instrumentos que podem contribuir para a redução a médio e a longo prazos dos índices ade acidentes no trânsito, pois um trânsito efetivamente seguro só será alcançado quando os cidadãos forem mais conscientes de sua responsabilidade individual e mais respeitadores dos direitos dos outros. A sociedade pode conseguir mais facilmente que seus cidadãos desenvolvam estes valores se, desde cedo, as crianças e os adolescentes forem educados, para que, quando adultos, tornem-se pedestres e, principalmente, motoristas mais conscientes. Razão pela qual as escolas tonaram-se o público alvo de palestras e campanhas educativas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se houver conscientização de pedestres e motoristas, trânsito será mais seguro.

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