quarta-feira , 20 outubro 2021

Crimes cibernéticos aumentam com a pandemia

Em entrevista ao jornal A Folha e ao GNI – Grupo de Notícias Integradas, o delegado Regional de Polícia Guilherme Milan Antunes falou sobre os crimes cibernéticos, os quais tomaram maiores proporções com a pandemia.

Segundo ele, desde o início da pandemia ocorreu o aumento de três tipos de golpes de estelionato, sendo dois praticados virtualmente e um que é praticado de forma virtual e também presencial. De acordo com o delegado Guilherme, deste terceiro tipo de golpe ocorreram prisões de quadrilhas na cidade de Santiago.

WhatsApp Clonado

Delegado Guilherme explica que o mais recorrente de todos é a clonagem de WhatsApp, conforme ele, as vítimas geralmente fizeram algum anúncio em sites de vendas, deixando seu número de celular à vista, com isto os criminosos fazem contato com a vítima, se identificando como de alguma loja ou como algum funcionário deste site de vendas e solicita que a vítima o informe os seis números que foram encaminhados para ela, geralmente através de mensagem de texto. Os seis números solicitados são o código de verificação do WhatsApp, e a vítima na maioria das vezes pensando estar em contato com funcionários dos sites, fornece estes números, momento em que o criminoso consegue clonar o WhatsApp.

Após clonado, os criminosos começam a enviar mensagens através de computador e 99% das mensagens que são enviadas para os contatos da vítima são de que a pessoa está passando por dificuldades financeiras ou que precisa de dinheiro emprestado e fornece uma conta para ser transferido o valor. As vítimas não se dão conta que o WhatsApp está clonado, também não ligam para o contato que está solicitando a quantia e fazem o depósito.

O Delegado Guilherme explica que a população pode ajudar evitar este tipo de golpe, a orientação é que as pessoas ativem em seu WhatsApp a verificação em duas etapas, com esta verificação, o PIN cadastrado será solicitado sempre que for registrado o número de telefone no WhatsApp, inclusive para o proprietário da conta. Este é o mecanismo mais eficaz de se evitar a clonagem do aplicativo, frisa o delegado.

As vítimas não se dão conta que o aplicativo foi clonado
Foto: Divulgação

Golpe do nudes

O segundo tipo de golpe que também tem sido recorrente é o chamado de “golpe do nudes”, neste golpe os criminosos se utilizam primeiro de uma rede social e depois do WhatsApp. As vítimas do golpe são geralmente homens de meia idade para cima. Segundo o delegado, os criminosos criam um perfil de Facebook ou Instagram utilizando fotos de jovens bonitas, na faixa de 18 a 25 anos e começam a enviar solicitações de amizade para as vítimas.

Quando a vítima aceita esta solicitação de amizade, o criminoso abre um bate papo e começa a conversar como se fosse a jovem. A conversa evolui e este criminoso envia algum nude ou alguma foto sensual (que conseguiu na internet) desta suposta jovem que está conversando com a vítima e também pede para que a vítima encaminhe alguma foto nua ou semi nua, isto pode ser feito através do Instagram ou Facebook ou ainda através do WhatsApp, pois o criminoso pode ter pedido o contato telefônico para que conversem melhor.

A vítima, pensando mesmo estar conversando com a jovem, envia a foto solicitada, a partir de então entra a segunda etapa do golpe. Quando a vítima cede às sugestões e envia as imagens explícitas, o golpista troca de personagem e diz ser uma jovem menor de idade. Nesse momento, um comparsa aborda o internauta, geralmente através do WhatsApp, afirmando ser o pai da garota e ameaça levar o caso para a polícia, a menos, é claro, que o indivíduo desesperado lhe pague uma boa quantia em dinheiro para comprar o seu silêncio.

Conforme o delegado Guilherme, pagando ou não a quantia solicitada, entra em cheque a segunda etapa que seria um agente da polícia civil, onde o criminoso mais uma vez obtém a imagem de um policial no Google, se passa por este policial dizendo que o pai da menina registrou ocorrência contra ele, foi aberta uma investigação, mas para que a mesma seja arquivada o criminoso cobra uma quantia em dinheiro. Ocorreram situações que as vítimas pagaram o valor solicitado e caíram noutra etapa do golpe, quando um delegado de polícia entra em cena, com outra conta de WhatsApp e outra foto, as quais são de delegados de polícia do Estado do Rio Grande do Sul falando sobre a investigação e sobre o pagamento do valor para arquivar o inquérito e cobra mais um alto valor da vítima para arquivar em definitivo o caso e a vítima paga novamente.

Segundo Guilherme, às vezes, ocorre de não dar certo nas duas primeiras etapas, mas quando entra em cena um delegado de polícia as vítimas ficam em desespero e depositam o dinheiro, pensando que desta forma estão subornando os policiais para arquivar a investigação.

Este golpe é um dos que mais gera prejuízos às vítimas, tanto quanto o golpe de clonagem de cartões de crédito, mas são poucas as vítimas que procuram a polícia para denunciar o fato, a maioria por receio, pois enviaram fotos nuas e ficam com medo que os criminosos divulguem estas fotos. Os criminosos geram pavor nas vítimas.

O delegado explica que agentes policiais não fazem contato com as vítimas utilizando telefones particulares para extorquir dinheiro e arquivar investigações. Os contatos que são feitos são para intimar as vítimas a comparecer no órgão policial para prestar depoimento, seja via telefone ou WhatsApp.

Outra questão verificada pela Polícia Civil, é a forma com que os criminosos redigem os textos para as vítimas, os quais contém erros de português em 100% das situações. Toda vez que houver qualquer contato de alguém se passando por delegado, agente de polícia ou até por um pai da vítima, desconfie, pois ninguém vai entrar em contato para extorquir valor, isto é um golpe.

Quando o golpe ocorre, é importante a vítima fazer o registro, pois este tipo de crime está crescendo cada vez mais.

É importante ter cautela ao adicionar e conversar com perfis desconhecidos, tal como evitar manter contato com números telefônicos de outros prefixos e não compartilhar fotos íntimas através de aplicativos de comunicação instantânea. Jamais fazer depósitos para estranhos e acionar os órgãos policiais caso acredite estar sendo vítima de uma extorsão.

O golpe do nudes é utilizado pela rede social e depois via Whatsapp
Foto: Divulgação

Golpe do cartão de crédito clonado

O terceiro tipo de golpe é a suposta clonagem de cartão de crédito, neste golpe os criminosos acabam tendo acesso a dados de correntistas de instituições bancárias, sendo escolhidas pessoas idosas, geralmente com mais de 65 anos, onde é feita uma ligação telefônica se passando por um atendente do banco falando que o cartão de crédito da vítima foi clonado e pede que seja feita uma ligação para o 0800 que está no verso do cartão e que forneça os dados que lhe forem solicitados e, supostamente, desliga o telefone. Porém o criminoso não desliga e fica na linha. As ligações quase sempre são efetuadas para um telefone residencial.

A vítima desliga o telefone, logo após, tira o telefone do gancho, disca o 0800 e quem atende é o criminoso, a vítima pensando estar falando com a central do banco fornece todos os dados ao criminoso. Com os dados em mãos, o golpista avisa que uma atendente do banco irá até a residência da vítima buscar o cartão de crédito, o qual será utilizado pelos criminosos. Várias pessoas em Santiago caíram no golpe do cartão clonado, assim como em várias regiões do estado. Os criminosos circulam pelas cidades aplicando o golpe.

Este, segundo o delegado, é um golpe presencial, que num primeiro momento os criminosos se utilizam de um aparelho telefônico, mas depois ele precisa de alguém para fazer a coleta do cartão, por conta disto a Polícia Civil em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal conseguiu obter êxito para prender os criminosos, não somente em Santiago, mas em deslocamento até outros municípios.

A orientação por parte da Polícia Civil é de que os bancos não fazem este tipo de contato com as pessoas, o banco nunca pede para recolher cartão em casa. Nunca entregue seu cartão de crédito a ninguém. Não forneça sua senha em hipótese nenhuma, porque em nenhuma transação o banco pede que você fale a sua senha. A não ser quando vai à agência, em que é solicitado para digitar.

Caso precise destruir o cartão, destrua o chip. Com o chip destruído, não há mais possibilidade de usar o cartão e para tirar qualquer dúvida, o cliente deve entrar em contato com o gerente ou com a central de atendimento do banco.

Neste golpe os criminosos têm acesso a dados de correntistas e instituições bancárias
Foto: Divulgação

Delegado de Polícia Regional Guilherme Milan Antunes
Foto: Carine Martins

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