sábado , 22 janeiro 2022

Cuide de quem sempre cuidou de você

Temos ouvido muito falar a respeito do abandono dos idosos no Hospital de Caridade da cidade. A equipe do jornal A Folha foi em busca de respostas para entender o porquê esses fatos vem acontecendo e, o porquê têm se tornado mais frequentes.

Eugênia Stacowski, Psicóloga e Kelin Pinheiro, Assistente Social do HCS, responsáveis por acompanhar casos de abandono, comentaram que casos assim sempre aconteceram dentro do hospital, que os mesmos acabam sendo rotina para elas.

“Acontece bastante. Nós buscamos dar todo o auxílio possível para aquela família que está com o idoso internado. Mas as situações são as mais variadas possíveis. Desde famílias que não querem levar o idoso na hora da alta hospitalar, aqueles que internam o familiar e não voltam mais para fazer o acompanhamento, aquelas famílias que colocam todos os empecílhos possíveis, como não ter a infraestrutura adequada na casa. E, também aqueles casos de abandono mesmo, onde o familiar não quer mais cuidar daquele idoso e simplesmente some, deixando ele aqui no hospital”, comenta Eugênia.

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Kelin complementa que não se pode achar um culpado num primeiro momento. “É preciso entender o porquê daquele abandono. Existe todo um histórico desse idoso dentro da família. Acontece de ter muitas brigas, ou do próprio idoso não aceitar ser cuidado e muitas vezes não aceitar a própria doença. Brigam, xingam, tornam a convivência pesada e triste para todos. Ou muitas vezes o próprio idoso não constituiu família, não tem marido, esposa e nem filhos. Acaba sobrando a responsabilidade para os irmãos, sobrinhos. E muitas vezes, esses irmãos também já são idosos. E isso pesa. No orçamento, muda a rotina de uma casa, altera toda uma estrutura. Outros casos são de idosos que os filhos foram embora da cidade, há muito tempo. E esses filhos tem sua vida, seu emprego. Não tem como simplesmente largar tudo para vir cuidar desse doente. Então são situações extremamente delicadas. Mas posso dizer que existem famílias que se desdobram para cuidar da melhor maneira daquele idoso. E isso é a maioria”, acrescenta ela.

E quando acontece o abandono do idoso. Quais são as atitudes tomadas pela equipe?

Tentamos num primeiro momento, contato com a família, ligamos, vamos atrás. Caso não dê certo, acionamos os ESFs do bairro onde a família mora, até que façam o contato. Já tivemos casos mais sérios onde tivemos que envolver o Ministério Público, pois a família não queria mais saber do idoso. E isso independe do convênio que o paciente tenha. Acontece com todas das classes”, conta Eugênia.

O momento da alta é outro ponto delicado. Os familiares têm medo, receio de não saber cuidar, de não conseguir atender aquele idoso da forma que ele precisa. “O pessoal da enfermagem vai ensinando os familiares enquanto o paciente está aqui. Como se faz um curativo, o banho, etc. Se temos cama hospitalar à disposição, nós emprestamos. Mas, muito disso acontece por comodidade. Em não querer tirar o paciente daqui, pois não quer cuidar desse idoso em casa. Além disso, com todos os cuidados e avanços das políticas públicas de saúde as pessoas entendem que a responsabilidade toda desse cuidado é do hospital, ou dos ESFs. E não é. Claro, estamos aqui para prestar o serviço, mas a responsabilidade sobre esse idoso é da família”, comenta Eugênia.

“Colocam empecilho na casa, que a cadeira não vai passar na porta, que não tem onde colocar uma cama maior. Os motivos são vários. Entendemos que ninguém se acostuma a ter um doente ou uma pessoa que inspira maior cuidados em casa, mas também, não pode-se jogar essa responsabilidade para o hospital.”

Kelin comenta que percebe que falta um trabalho com as famílias, onde as mesmas sejam instruídas que um dia sim, todos vão envelhecer. “Essa questão deve ser trabalhada desde cedo nas famílias. Todos nós iremos chegar na velhice. Todos precisaremos de ajuda. De amor. Mas, que isso aconteça a vida toda. Esse carinho e esse cuidado é parte de uma construção familiar. Existe uma falta de preparação para envelhecer”, fala ela.

Depois de ouvir a equipe do HCS, quanto à questão do abandono dos idosos, buscamos através da Secretaria de Desenvolvimento Social, quais ações são feitas para que esse idoso seja reinserido na sociedade, para que ele se sinta mais ativo e mais saudável. Que ele possa continuar sua vida, sem tanta dependência dos filhos e familiares. Onde ele se ocupe, afastando assim o risco de doenças como depressão, por exemplo.

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A Coordenadora de Grupos de Idosos, Deise Cardinal Loureiro, que atua há 12 anos na área, comentou que são inúmeros os programas para o idoso, como coral, ginástica, dança coreografada, artesanato, pintura, academias ao ar livre, bailes da terceira idade. Além de toda uma rede de atenção à saúde do idoso. Através do Conselho Municipal do idoso, tendo por presidente Maria de Fátima Ribeiro, o idoso tem todo amparo para dúvidas e orientações. Os CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), presta atendimento de oficinas, serviços de prevenção à violência ao idoso, convivência e fortalecimento de vínculos com a família. Também atende vítimas de violência e previne essas situações com um trabalho junto das famílias. Além de possuírem equipes com psicólogas, assistentes sociais e coordenadoras.

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Já a Secretaria de Saúde possui parcerias com fonoaudiólogos, psicólogos, urologista, enfermeiras. Fazem campanhas de vacina da gripe, possuem medicamentos para hipertensão e diabetes gratuito, além de grupos orientados para educação nutricional. Centro Materno, Secretaria de Educação, Centro Cultural também possuem programas específicos para a saúde do Idoso.

“Cuide de quem sempre cuidou de você”

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