terça-feira , 26 maio 2020

Em entrevista, prefeito Tiago Gorski Lacerda aborda o cenário atual

O prefeito Tiago Gorski Lacerda é um dos maiores defensores da Saúde Pública e segue à risca as determinações da Organização Mundial da Saúde e de outros órgãos nacionais e estaduais que defendem o isolamento social como a principal forma de conter o avanço do Coronavírus. Por isso, o Município de Santiago tem adotado várias medidas, algumas não populares, mas essenciais para evitar um surto da doença. Há consequências positivas e outras nem tanto, como é o caso do impacto na economia local, nas contas públicas e na rotina financeira das empresas.

Em entrevista ao Jornal A Folha, Tiago destaca algumas das decisões tomadas, a repercussão junto à comunidade e os resultados a partir dos decretos que começaram em março e foram atualizados semanalmente conforme a evolução da pandemia.

Prefeito, qual a maior dificuldade como gestor nesse momento de pandemia?
Uma das maiores dificuldades é prever o que pode vir pela frente. O Coronavírus pegou o mundo de surpresa e tivemos que correr para encontrar abrigo de um furacão que veio de repente. Podemos até pecar pela ação, mas nunca pela omissão. Nos organizamos rapidamente e fizemos os planejamentos necessários para salvar vidas.

Quais as consequências para o senhor caso descumpra recomendações preventivas ao Coronavírus?Não haveria consequência maior do que chorar perdas humanas. De chegar a um ponto de colapso de nosso sistema de saúde, de ver a nossa comunidade mergulhada em desespero, de sermos incapazes de ajudar. Isso seria o pior. E é o que trabalhamos para evitar.

O que, no seu ponto de vista, é mais importante: saúde pública ou economia local?
Ambos tem a sua importância. A economia mantém a cidade, os investimentos, os empregos. Mas precisamos refletir que a economia está à serviço da manutenção da vida. Toda decisão precisa levar sempre em conta que as pessoas vem em primeiro lugar. Sem gente não há trabalho, não há emprego. A vida tem um custo, sim, mas o custo da morte pode ser pesado demais. Essa responsabilidade sobre a vida é de todos nós, não só do Poder Público.

O senhor é um dos poucos prefeitos que não voltou atrás em nenhum dos decretos que publicou, tendo sido elogiado/criticado por isso. Como foi assumir, sozinho, a manutenção dos decretos?Nunca estive sozinho. Nosso lema “Estamos Juntos” se fez ainda mais forte, com o entendimento e a aproximação com o Ministério Público, Judiciário, Exército, hospitais, instituições, com setores empresariais, com a comunidade e, claro, com nossa equipe de trabalho, que sempre se manteve unida, trabalhando muito além dos limites do expediente, pela noite ou madrugada. Tudo o que foi feito teve o propósito de manter nossa cidade protegida. Tivemos poucos casos de Coronavírus, o mínimo de internações, nenhuma morte. Um cenário diferente de outras cidades. E nossas decisões são exatamente para isso. Há quem pense diferente, critique as nossas ações. Mas estamos abertos para ouvir quem tiver soluções melhores.

O isolamento social foi o grande responsável por não haver aumento de casos de Covid em Santiago?Exatamente isso. O vírus precisa do contato entre as pessoas para se propagar. Sem aglomeração, com distanciamento, se evita o contágio, a disseminação, a doença. Todas as nossas recomendações e ações foram para garantir que as pessoas se mantivessem com saúde.

O presidente da República é contra o isolamento social e descumpre recomendações da OMS. Governadores e prefeitos cumprem essas determinações e, ainda, precisam ouvir declarações de Bolsonaro de que estão exagerando. O que o senhor pensa da conduta do Presidente?
O presidente tem sido resistente em reconhecer a letalidade do Coronavírus, o que acaba por influenciar na desinformação que ganhou força. Neste momento, é a única autoridade mundial que mantém essa postura. Muitas vítimas eram pessoas que achavam que seria só uma gripezinha. A preocupação dele com a economia tem sua razão de ser, mas precisa ver o outro lado. Negar a realidade não a transforma. Creio que a conduta dos governadores e prefeitos tem sido correta. É um remédio amargo, mas quanto antes as decisões mais difíceis forem tomadas, mais fácil será o retorno a um cenário melhor.

Considerações gerais/importantes sobre as ações em Santiago para manter a saúde pública e a economia girando?
Estamos trabalhando mais do que o dobro, nossas preocupações triplicaram e nossas responsabilidades são multiplicadas por esses fatores todos. Estamos preocupados com a saúde, estamos preocupados com a economia. E pedimos que as pessoas entendam que estamos fazendo a nossa parte e precisamos que cada um faça a sua, inclusive, priorizando as compras no comércio local, sem desperdiçar recursos. É um momento de economizar, de repensar atitudes, de se reinventar. É certo que vamos agir com políticas públicas que sejam capazes de recuperar nossas capacidades, nossos potenciais. E precisamos, mais do que nunca, que as pessoas estejam alinhadas com esse mesmo propósito. A hora é de união.

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