sábado , 23 outubro 2021

Polícia Civil conclui inquérito

A Polícia Civil de Santiago concluiu na tarde de terça-feira, 11, a respeito das circunstâncias da morte do senhor Airto dos Santos, caso que trouxe repercussão ainda em setembro de 2012, quando foi internado e veio a falecer. Logo após a morte a família procurou a polícia relatando que por três oportunidades a família procurou o atendimento no Hospital de Caridade da cidade, onde foi atendido e liberado. Onde então a Polícia Civil instaurou o inquérito policial.

Segundo o Delegado Vladimir Haag Medeiros, o que foi apurado é que o senhor Airto dos Santos sofreu um acidente, sendo atingido na cabeça por uma vaca, sentindo fortes dores de cabeça. Procurou o hospital, sendo atendido por dois médicos e liberado para sua residência. As dores permaneceram, e ele retornou dois dias após o atendimento no Hospital, sendo atendido e liberado. “Procurou atendimento após mais alguns dias, sendo atendido por um quarto médico onde foi encaminhado a exames complementares, como tomografia cerebral e avaliação de neurologista. Neste momento foi feita a internação do paciente na UTI, vindo a falecer alguns dias depois. O fato é que o paciente procurou o hospital por três oportunidades até conseguir ser internado”, destacou o Delegado.

“A gente sabe que esse tipo de situação é bastante técnica, complexa de ser apurada. Mas o cartório responsável levou a situação adiante, basicamente o que nos tínhamos como objetivo era ver o atendimento que foi prestado à vítima e estabelecer um paralelo pelas regras de um atendimento adequado. Juntamos toda a documentação do atendimento prestado à vítima junto ao hospital, um inquérito de 500 folhas, fizemos os interrogatórios de todos os médicos, que em algum momento prestaram atendimento a esse paciente, aos que encaminharam para internação, aos que atenderam na UTI para que conseguíssemos entender o que tinha acontecido. Juntamos também cópias de uma sindicância realizada no interior do Hospital para ao final juntar essas duas dezenas de pessoas ouvidas, toda documentação do atendimento prestado à vítima e fazer o encaminhamento ao Instituto Geral de Pericias, que é o órgão oficial de perícia do Estado, onde existe um departamento especial para essas questões”, explicou Vladimir.

O Delegado requisitou um laudo pericial, com alguns quesitos. Basicamente o que a Polícia Civil queria compreender era se havia tido algum tipo de omissão, erro médico, se os tratamentos dispensados eram adequados. Aí então retornou um laudo bastante claro, onde um perito médico legista de Porto Alegre, acaba por concluir omissão por parte do atendimento, inadequação quanto aos tratamentos dispensados, falta de exames necessários, indicando principalmente nas duas primeiras oportunidades em que a vítima procurou o hospital, algum tipo de falta no atendimento prestado.

Nesse aspecto esse inquérito, de acordo com Vladimir, pode ter um desfecho bastante conclusivo de responsabilização de três médicos, que teriam feito os dois primeiros atendimentos, onde a conduta de ação ou omissão deles tenham dado causa ao resultado, morte da vítima. O entendimento da Polícia Civil então é que foram indiciados por homicídio culposo, aquele sem intenção de causar a morte e, ainda com aumento de pena por inobservância de regra técnica de profissão. Vladimir comentou que o crime tem pena de detenção de até 4 anos, os autos foram concluídos, encaminhados ao Poder Judiciário e ficam a disposição do Ministério Público, para que se iniciem processo ou não quanto a esses indiciados.

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