sábado , 21 maio 2022

Rádio Santiago, Sessenta e três anos de tradição, amizade, informação e inovação

Neste mês, a Rádio Santiago comemora 63 anos de história e tradição. A reportagem do Jornal A Folha conversou com Ieda Pinto, proprietária e viúva de Jaime Pinto, na conversa a trajetória e consolidação da rádio foram lembradas.

Eu participei de tudo, desde o início. Eu morava em São Luiz e o Jaime também. Ele com 14 anos e eu com 11. Nós dois estudávamos na mesma escola. Não tínhamos nada de namoro. Quando eu digo que acompanhei foi porque eram coisas que aconteciam na cidade e a gente ficava sabendo. Eu e umas amigas cantávamos, e viemos nos apresentar aqui em Santiago na época da inauguração da rádio”, relembra Ieda.

Jaime Pinto começou trabalhando na Rádio São Luis. “Sr. Elias, que era proprietário na época, gostou muito do Jaime e logo chamou para fazer parte da equipe”. Ela conta que nessa época, Jaime Pinto resolveu procurar emprego na capital. Lá ele fez um teste na rádio Farroupilha, mas em função de ser menor de idade não pode permanecer. “Aí mandaram ele para uma emissora da rede, na grande Porto Alegre. Assim, iam preparando ele para quando pudesse assumir na Farroupilha. Um dia ele se encontrou com o antigo chefe e o mesmo o convidou para voltar a São Luis, pois ele queria prepará-lo para a gerência de outra emissora. Depois de um tempo, o Jaime foi enviado aqui para a Rádio Santiago”, conta ela, nesta época já casada com Jaime Pinto.

radio santiago

Neste ano o transmissor da rádio Santiago havia queimado, deixando a rádio fora do ar por meses. “Foram seis meses, onde até fome passaram. Pois com a rádio fora do ar, não tinham como comercializar e acabam não recebendo quase nada de salário”, conta.

No início, a Rádio Santiago ficava na primeira quadra do calçadão. Depois passou por mais dois endereços até chegar ao prédio atual. Ieda lembra que era um barranco e lá em cima tinha uma casa antiga, terminada, onde foi montada a rádio. “A comunidade estava muito feliz com a inauguração da rádio na cidade. Imagina, naquela época, muitos nem telefone tinham. Então, a rádio era um grande empreendimento”, relembra ela.

Em uma negociação, Jaime conseguiu comprar do antigo chefe a rádio Santiago. Ele e o Dr. Lang compraram juntos. Porém, o Dr. Lang abriu mão da sua parte, deixando tudo para o Jaime. “Ele entrou com a confiança no amigo, e isso não tem preço. Ele sempre me disse que tinha se feito uma promessa pessoal, que um dia a Rádio Santiago seria dele”, comenta Ieda. Jaime Pinto faleceu em 1986. “O novo transmissor da rádio chegou um dia depois da sua morte. Infelizmente ele não teve a felicidade de ver a instalação do novo transmissor, que tanto queria”, conta.

Ieda conta que depois que o marido faleceu é que ela se inteirou dos assuntos da rádio, junto com a Eda Ramos.  “A Eda está aqui desde o início. Eu não sei se eu teria seguido se a Eda não estivesse do meu lado. Ela passou até em um concurso e não quis assumir. Faz 48 anos que estamos lado a lado. Ela sabe tudo aqui dentro. Ela é minha amiga, minha filha”, comenta Ieda, com muito carinho.

“Logo que o Jaime faleceu os funcionários pediam muito que eu ficasse por aqui, acredito que isso acabava confortando eles e trazendo de alguma forma o Jaime para perto. Mas, eu sempre dizia que eles não precisavam de mim, pois quem fazia a rádio eram eles. Sempre foi assim. Sempre tivemos funcionários que confiamos plenamente. E é assim até hoje, tudo o que acontece aqui a Eda me passa. Não toma nenhuma decisão sem o meu conhecimento. Quando eu fiz 70 anos, avisei que estava encerrando minhas atividades na Rádio. Somos uma família, com todos os problemas que uma família tem, mas também com todas as alegrias”, acrescenta.

A respeito dos 63 anos da Rádio Santiago, Ieda comenta, “Parece mentira. Eu olho para toda essa trajetória e por muitas vezes não acredito. Sinto muito orgulho. Fico olhando e percebo os sacrifícios que o Jaime fez para tocar esse negócio e fazer dar certo. Todo mundo lembra dele, até hoje. E ele é sempre lembrado com amor. Isso me deixa muito feliz. A rádio é meu xodó e vou cuidar dela enquanto puder”, finaliza Ieda.

Os comentários estão fechados.

Scroll To Top