sábado , 23 outubro 2021

Tritícola x Cotrijui

Tritícola x Cotrijui

Cotrijui está fechando estabelecimentos e abandonando o patrimônio da Tritícola Santiaguense

A Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense atuou no município por décadas, mas por várias questões técnicas e gerenciais a empresa teve problemas financeiros, o que fez com que uma série de medidas fossem tomadas na busca de sanar a situação da cooperativa, uma delas foi o arrendamento da Tritícola pela Cotrijui, Cooperativa Regional de Ijuí. A Cotrijui então arrendou todos os armazéns, mercados, postos de combustíveis, silos, ou seja, todo o patrimonioque era da Tritícola.
Em entrevista ao jornal A Folha, Pedro Bassin, presidente da Comissão de Liquidação, e José Luiz Dalosto, vice-presidente da Comissão de Liquidação da Tritícola, falaram sobre a situação da Tritícola e que aguardam decisões da justiça para darem continuidade ao processo de “Liquidação” da cooperativa.    Informaram ainda de suas preocupações quanto ao fato de a mesma ter sido arrendada por 30 anos e a Cotrijui estar fechando unidades, deixando os locais abandonados se deteriorando em função da falta de manutenção.
Conforme Bassine Dalosto, durante o período em que a Cotrijui esteve à frente da Tritícola, uma série de contratos foram feitos, entre santiaguense, Cotrijui e outras empresas, mas com o passar dos anos, a cooperativa de Ijui que também estava na mesma situação da Tritícola, com vários problemas financeiros, inclusive estando ela também em “liquidação”, passou a deixar de lado o patrimônio da santiaguense.
É importante ressaltar, que no contrato de arrendamento, feito entre as duas cooperativas, a Cotrijui arrendou por 30 anos a Tritícola, mas no pouco tempo em que tentou fazer algo pela cooperativa santiaguense, acabou fechando ossupermercados em Santiago – dois pontos bons que a Tritícola mantinha na cidade, logo após, foram fechados a veterinária, parte de insumos, armazéns arrendou algumas áreas para terceiros para o recebimento de grãos, fechou recentemente o posto de combustíveis e agora está fechando supermercados e postos nas cidades vizinhas também.
Em relação à unidade de armazenamento de grãos em Santiago, Pedro Bassin destacou que está em péssimas condições, são poucos os recebimentos de grãos e a oficina e a parte de apoio aos produtores estão sucateadas, vários equipamentos foram retirados do local e ninguém consegue entrar nos mesmos, porque estes estão fechados. A entrada é permitida apenas quando acompanhado por alguém da Cotrijui.

“A cooperativa chegou a ter em Santiago mais de 3 mil e duzentos associados, e, pelos contratos, a Cotrijui teria a obrigação de, na pior das hipóteses, atender, receber os grãos de todos os associados da região de abrangência da Tritícola, além de prestar os demais serviços oferecidos pela santiaguense”, destacou Dalosto.

Em Santiago, o prédio na Bento Gonçalves onde funcionava o supermercado, era alugado e com o encerramento das atividades naquele ponto, retornou para os donos, no caso: o supermercado Bazana. Já o prédio na área central, localizado na Rua Pinheiro Machado, e também na Rua Osvaldo Aranha, que é de propriedade da Tritícola, estãoabandonados, paredes foram pichadas, vidros quebrados, pátio abandonado, juntando sujeira, um espaço amplo que está se perdendo por falta de cuidados, falta de uso e deixando de gerar emprego, renda e retorno social a comunidade de Santiago.
Os problemas da Cotrijui estão se agravando e, de acordo com Pedro Bassin, até o final do ano deve ser feita a liquidação da Tritícola, assim como a Cotrijui, porque ambas estão passando por este processo de liquidação, mas isso não era do conhecimento da população porque nunca foi informado à comunidade. Mas para ser feita a liquidação da Tritícola é preciso ter a “posse dos bens” da cooperativa. Pedro ressalta que espera, em um curto espaço de tempo, ter a posse desses bens, para prosseguir com a liquidação.
Pedro informou que existeempresas interessadas em assumir o patrimônio, mas não conseguem assumir novamente a santiaguense. “Fomos impedidos de entrar nos locais para fazer uma avaliação do patrimônio. O dono ser impedido pelo inquilino de entrar em seu patrimônio é inadmissível”, ressaltou.
Outro ponto destacado foi sobre a venda pela Cotrijui de equipamentos da Cooperativa Tritícola, que, segundo os integrantes da comissão, não poderiam ter sido vendidos. De acordo com eles, foram várias as tentativas de diálogo com o presidente da Cotrijui, mas sem sucesso. Agendaram visitas ao atual presidente Fragoso, com dia e hora em Ijui, esperaram durante uma tarde e não foram atendidos.
A presidência da Tritícola quer que sejam cumpridas todas as cláusulas do contrato por parte da Cotrijui, porque o contrato vale igualmente para ambas as partes. Não foram pagos, por parte da Cotrijui, impostos e renegociações de dívidas. Neste meio tempo, também foi perdido o posto que era da Tritícola, e que, por causa de uma dívida, passou a ser da Ipiranga.
Um dos motivos que levou ao pedido de liquidação foram os leilões realizados, porque além dos patrimônios serem vendidos pela metade do preço, são feitas avaliações bem menores do que realmente é. Isso poderia levar embora todo o patrimônio e acabar com a cooperativa, e o associado é quem sairia perdendo. Os espaços, hoje fechados pela Cotrijui, estão deixando de gerar empregos e de girar a economia do município, porque com o fechamento os supermercados, posto, veterinária, entre outros, muitas pessoas perderam o emprego. Além disso, Santiago perde porque muitos produtores estão deixando de trazer seus grãos para o município.
O tempo está correndo, e a Tritícola precisa assumir novamente o seu patrimônio, para que a cooperativa não feche, e seus sócios não sejam prejudicados ainda mais. Agora, tudo está no aguardo da justiça, para que a solução venha a resolver o problema, reavendo os bens só assim será possível fazer a liquidação da Tritícola.

Fotos: Carine Martins

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